Desde 1 de agosto, entraram em vigor as novas medidas macroprudenciais do Banco de Portugal para a concessão de crédito habitação.
Estas alterações têm como objetivo
– reforçar a estabilidade do sistema financeiro
– e garantir que as famílias portuguesas contratam um crédito habitação compatível com a sua capacidade financeira,
dado o continuo aumento do preço das casas e em consequência dia, do endividamento das famílias.
As novas regras aplicam-se apenas aos novos contratos celebrados a partir dessa data.
O que mudou no crédito habitação?
A principal alteração introduzida pelo Banco de Portugal é a redução da DSTI, (a chamada taxa de esforço em stress, que considera as prestações existentes e uma eventual subida em 1,5 p.p. nos casos de taxas variável e mista), que passa de 50% para 45% do rendimento líquido mensal do agregado familiar.
Na prática, isto significa que a prestação do crédito habitação, juntamente com os restantes encargos financeiros e já considerando o eventual aumento destes 1,5 p.p, não deverá ultrapassar 45% dos rendimentos liquidos disponíveis.
Esta medida pretende evitar situações de sobre-endividamento e garantir que os clientes conseguem suportar futuras variações das taxas de juro.
O que se mantém no crédito habitação?
Apesar das novas regras, vários critérios continuam exatamente iguais para quem pretende contratar um crédito habitação:
- O financiamento continua limitado, regra geral, a 90% do valor do imóvel para habitação própria permanente. (exceção feita aos jovens até 35 anos, que cumpram os requisitos para acesso);
- Mantém-se a realização dos testes de esforço com simulações de subida das taxas de juro.
- Continua a existir a obrigação de amortização regular de capital e juros ao longo da vida do empréstimo.
Quem será mais afetado?
As novas medidas poderão ter maior impacto em famílias que se encontravam no limite da taxa de esforço ou que pretendiam financiar valores mais elevados.
Na prática, alguns candidatos poderão verificar que o montante máximo de crédito habitação aprovado pelo banco será inferior ao que conseguiriam antes de 1 de agosto. Isso não significa que o financiamento seja impossível, mas poderá ser necessário ajustar o valor do imóvel, aumentar a entrada inicial, melhorar a capacidade financeira do agregado ou eventualmente ter de apresentar fiadores, quando antes poderia ser desnecessário.
Ainda vale a pena pedir crédito habitação?
Sim. As novas medidas não impedem o acesso ao crédito habitação. Apenas tornam a análise mais prudente por parte das instituições financeiras.
Além disso, cada banco continua a avaliar individualmente cada processo, podendo existir diferenças significativas nas condições oferecidas, na interpretação da taxa de esforço e no montante máximo financiado.
Por esse motivo, comparar propostas de diferentes bancos continua a ser uma das formas mais eficazes de conseguir um crédito habitação com melhores condições.
Como conseguir o melhor crédito habitação?
Independentemente das novas regras do Banco de Portugal, existem vários fatores que continuam a fazer diferença na aprovação de um crédito habitação:
- Ter estabilidade profissional e rendimentos consistentes;
- Reduzir outros créditos em curso;
- Dispor de capitais próprios para a entrada;
- Comparar propostas de vários bancos antes da decisão final;
- Recorrer a um intermediário de crédito que negoceie diretamente com as instituições financeiras.
Uma análise especializada pode traduzir-se em spreads mais competitivos, melhores condições de financiamento e uma prestação mensal mais reduzida.
O Senhor do Banco ajuda-o a encontrar o melhor crédito habitação. Pode pedir uma simulação aqui.